Professores e instituições de ensino apontam assuntos que podem aparecer na redação do Enem 2026, aplicada neste domingo (8), mas o tema oficial só será conhecido pelos candidatos no início da prova. A redação integra o primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio e exige um texto dissertativo-argumentativo de até 30 linhas, com proposta de intervenção e respeito aos direitos humanos.
Com mais de cinco milhões de inscrições confirmadas, o exame mobiliza estudantes em todo o país. Entre as hipóteses mais citadas por educadores estão inteligência artificial, proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, desafios ambientais, saúde mental, inclusão de pessoas com deficiência, neurodiversidade, desigualdades sociais, leitura, mundo do trabalho, segurança digital e impactos das plataformas digitais. Ainda assim, o tema oficial só será conhecido na prova.
A aplicação regular do primeiro dia começou às 13h30, no horário de Brasília, e termina às 19h. Além da redação, os participantes respondem a 90 questões objetivas de Linguagens e Ciências Humanas. O segundo dia do exame está marcado para 15 de novembro.
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Assuntos mais citados nas apostas para a redação
Entre os temas lembrados por professores, a inteligência artificial aparece como um dos eixos mais mencionados. O assunto permite recortes ligados ao uso responsável dessas ferramentas na educação, às desigualdades de acesso à tecnologia e aos impactos no mundo do trabalho.
Também ganham espaço hipóteses relacionadas à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, à segurança digital e aos efeitos das plataformas sobre a vida social. Outro grupo de temas recorrentes envolve saúde mental, sobretudo em discussões sobre preconceitos, bem-estar emocional e experiências de jovens.
Na área ambiental, educadores citam mudanças climáticas, sustentabilidade e efeitos de eventos extremos sobre populações vulneráveis. Em outra frente, aparecem possibilidades ligadas à inclusão, acessibilidade, direitos das pessoas com deficiência e neurodiversidade.
As listas de apostas, porém, não equivalem a confirmação. Entre os assuntos mais citados nas hipóteses, o ponto central para o candidato é observar o recorte específico do enunciado, já que o Enem costuma exigir abordagem delimitada do problema apresentado.
O que a redação do Enem 2026 exige
A redação do Enem 2026 cobra texto dissertativo-argumentativo de até 30 linhas. A proposta é acompanhada de textos motivadores, que ajudam a contextualizar o tema, mas não substituem a argumentação do participante.
Segundo a matriz de correção, a avaliação considera cinco competências, cada uma com até 200 pontos, totalizando nota máxima de 1.000. Os corretores observam domínio da escrita formal, compreensão do tema, organização dos argumentos, coesão textual e elaboração de proposta de intervenção.
Na prática, o candidato precisa apresentar um posicionamento claro, sustentado por argumentos pertinentes e articulados. A proposta final deve indicar uma medida para enfrentar o problema discutido, com respeito aos direitos humanos.

Como identificar o recorte do tema
Uma das orientações mais recorrentes de professores para o momento da prova é a leitura atenta do enunciado. O tema da redação pode partir de um assunto amplo, mas a banca exige análise de um recorte específico. Por isso, reconhecer apenas o tópico geral não basta.
Esse cuidado aparece em exemplos hipotéticos usados na preparação. Uma discussão sobre tecnologia, por exemplo, não necessariamente autoriza um texto genérico sobre internet ou inovação. O participante precisa observar quem é afetado, qual problema está em foco e que aspecto deve ser desenvolvido.
Na abertura do texto, a recomendação é começar a redação com clareza, apresentando o problema e a tese que será defendida. A introdução pode contextualizar o assunto por meio de informação histórica, referência legislativa ou situação social ligada ao tema, sem necessidade de recorrer a frases prontas.
Repertório sociocultural exige relação com o argumento
Outro ponto enfatizado por professores é o uso criterioso do repertório sociocultural. O Enem não exige a citação de filósofos, autores famosos ou frases decoradas. O que pesa na correção é a pertinência da referência em relação ao argumento construído pelo estudante.
A Cartilha do Participante alerta para o uso automático de referências memorizadas, sem conexão efetiva com o tema. Nesse contexto, citações coringa podem atrapalhar a redação quando aparecem apenas como enfeite e sem explicação de sua função no texto.
Entre os repertórios possíveis estão acontecimentos históricos, legislação, conceitos científicos, obras literárias, produções cinematográficas e informações sobre a sociedade. Constituição Federal de 1988, Estatuto da Criança e do Adolescente e Lei Brasileira de Inclusão são exemplos que podem contribuir, desde que relacionados ao problema efetivamente proposto.
Na redação, o mais importante é usar repertório sociocultural sem fugir do tema. Isso significa apresentar a referência, explicar seu sentido no contexto discutido e demonstrar como ela sustenta a tese.
Estrutura e desenvolvimento dos argumentos
Uma organização frequentemente usada na preparação divide a redação em quatro parágrafos: introdução, dois desenvolvimentos e conclusão. Essa estrutura não é obrigatória, mas ajuda a distribuir a argumentação dentro do limite de linhas.
No primeiro parágrafo, o candidato apresenta o tema e seu ponto de vista. Nos dois parágrafos seguintes, desenvolve causas, consequências ou dimensões complementares do problema, evitando repetir a mesma ideia com outras palavras. No último, retoma a discussão e propõe uma intervenção coerente com os argumentos anteriores.
Os conectivos podem contribuir para a progressão textual, desde que empregados corretamente. Expressões de adição, oposição, consequência e conclusão ajudam na coesão, mas não substituem a lógica da argumentação.
O que pode levar à nota zero
Erros graves podem comprometer toda a avaliação da redação. Entre as situações previstas estão fuga ao tema, descumprimento da estrutura dissertativo-argumentativa, texto com até sete linhas manuscritas, identificação indevida no espaço da redação, impropérios, desenhos, anulação deliberada e texto predominantemente em língua estrangeira.
Também há risco quando o participante reproduz trechos dos textos motivadores sem desenvolver produção autoral. As linhas copiadas não contam como linhas válidas, o que pode levar à caracterização de texto insuficiente. Por isso, é essencial conhecer quais erros podem levar à nota zero.
O título não é obrigatório. Se o candidato optar por incluí-lo, ele ocupa espaço na folha definitiva. A recomendação prática é priorizar os elementos efetivamente avaliados: compreensão do tema, argumentação, organização, escrita formal e proposta de intervenção.
Proposta de intervenção e revisão final
A proposta de intervenção é parte central da redação do Enem. Para ser considerada completa, ela pode reunir agente, ação, meio ou modo, finalidade e detalhamento. A solução precisa dialogar diretamente com o problema discutido no texto e respeitar os direitos humanos.
Na revisão, o participante deve conferir se a tese está clara, se os desenvolvimentos sustentam o posicionamento apresentado, se a conclusão enfrenta o problema debatido e se a escrita mantém legibilidade. Também é preciso verificar concordância, pontuação, acentuação e repetições excessivas.
Outro cuidado essencial é transcrever a versão final para a folha oficial. Escrever a redação apenas no rascunho não garante correção. No Enem 2026, o primeiro dia de aplicação termina às 19h, no horário de Brasília.

