O Resultado PISA 2025, divulgado nesta terça-feira (8), mostra que o Brasil permaneceu estável em matemática, leitura e ciência, mas continua abaixo da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nas três áreas avaliadas. O levantamento reúne dados de estudantes de 15 anos em 91 países e economias.
Mais de 760 mil estudantes participaram da avaliação, amostra que representa cerca de 33 milhões de jovens dessa faixa etária. O estudo também traz informações sobre desigualdade educacional, uso de inteligência artificial, celulares no ambiente escolar, faltas às aulas e preparação para desafios ambientais.
Brasil segue abaixo da média em matemática, leitura e ciência
As médias brasileiras de 2025 ficaram próximas das registradas desde 2015, o que indica estabilidade em patamares inferiores à média da OCDE. O cenário aparece de forma semelhante nas três áreas tradicionais do exame.
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Entre 2022 e 2025, aumentou no Brasil a diferença de desempenho em matemática entre os 10% de estudantes com maiores notas e os 10% com menores pontuações. Em leitura e ciência, essa distância não teve alteração estatisticamente significativa. Na comparação com 2015, a proporção de alunos com baixo desempenho permaneceu praticamente estável em matemática e leitura, enquanto caiu quatro pontos percentuais em ciência.
Matemática tem um dos quadros mais críticos
Em matemática, apenas 28% dos estudantes brasileiros alcançaram ao menos o nível 2 de proficiência, considerado o patamar básico da avaliação. Na média da OCDE, esse percentual foi de 65%.
No nível 2, o estudante consegue reconhecer como uma situação simples pode ser representada matematicamente, inclusive em tarefas como comparar distâncias entre trajetos ou converter preços. O levantamento também mostra que praticamente nenhum estudante brasileiro chegou aos níveis 5 ou 6, os mais avançados. Na média da OCDE, 8% alcançaram esses níveis.

Leitura e ciência também ficam abaixo da média internacional
Em leitura, 49% dos estudantes brasileiros atingiram o nível 2 ou superior, enquanto a média da OCDE foi de 69%. Isso significa que pouco mais da metade dos jovens avaliados no país não demonstrou as habilidades mínimas esperadas para compreender e interpretar textos de complexidade moderada.
Os alunos nesse nível conseguem identificar a ideia principal de um texto, localizar informações com base em critérios explícitos e refletir sobre a finalidade ou a forma do conteúdo quando recebem orientação. Apenas 1% dos participantes brasileiros alcançou o nível 5 ou superior em leitura, ante 6% na média da OCDE.
Ciência foi o domínio principal do PISA 2025. No Brasil, 48% dos estudantes alcançaram pelo menos o nível 2 de proficiência científica, contra 74% na média dos países da OCDE. Somente 1% dos brasileiros chegou aos níveis 5 ou 6 em ciência, enquanto a média da OCDE foi de 7%.
Desigualdade socioeconômica pesa no desempenho
A desigualdade educacional aparece como um dos fatores mais associados ao desempenho dos estudantes. No Brasil, os 25% com melhor condição socioeconômica superaram os 25% mais desfavorecidos em 96 pontos na avaliação de ciência.
Essa diferença aumentou entre 2015 e 2025, ao passo que a distância média nos países da OCDE diminuiu. O nível socioeconômico explicou 16% da variação do desempenho brasileiro em ciência, acima da média de 12% registrada na organização.
Além disso, 35% dos participantes do Brasil estavam entre os 25% mais desfavorecidos de toda a amostra internacional. Mesmo assim, 10% dos alunos brasileiros em desvantagem econômica ficaram entre os estudantes com melhor desempenho científico dentro do país, sendo classificados como academicamente resilientes.
Uso de IA e celulares entra no retrato das escolas
O PISA 2025 também mediu a presença da inteligência artificial na rotina escolar. No Brasil, 48% dos estudantes disseram usar chatbots de IA para aprender pelo menos uma vez por semana, percentual ligeiramente acima da média de 46% da OCDE.
Entre os brasileiros, 40% relataram utilizar IA para pesquisas preliminares sobre novos assuntos, 31% para resumir textos e 27% para elaborar conteúdos de trabalhos escritos. Já 11% afirmaram nunca ou quase nunca recorrer a chatbots nas tarefas escolares avaliadas.
No caso dos dispositivos digitais, 25% dos estudantes brasileiros relataram que os colegas ficam frequentemente distraídos com esses aparelhos durante a maioria ou todas as aulas de ciência. Entre esses alunos, o desempenho foi 19 pontos menor em ciência do que entre aqueles que não relataram distrações, após ajuste pelo perfil socioeconômico dos estudantes e das escolas.
Em 2025, 81% dos alunos brasileiros estudavam em instituições nas quais os celulares não eram permitidos nas dependências escolares. Em 2022, esse percentual era de 37%. Na média da OCDE, 49% frequentavam escolas com esse tipo de restrição.
Faltas chamam atenção e apoio dos professores aparece acima da média
Cerca de 55% dos estudantes brasileiros disseram ter faltado pelo menos um dia nas duas semanas anteriores à aplicação do PISA 2025. Na média da OCDE, o percentual foi de 22%.
Outros 53% informaram ter perdido pelo menos uma aula no mesmo período, enquanto a média da OCDE ficou em 24%. Já 44% disseram ter chegado atrasados à escola. Em avaliações educacionais, o resultado individual pode exigir cautela na interpretação, como ocorre quando o gabarito não confirma reprovação e a nota final ainda depende da divulgação oficial.
Apesar das dificuldades, o levantamento identificou indicadores positivos no apoio docente. No Brasil, 82% dos estudantes afirmaram que o professor demonstra interesse pelo aprendizado de todos durante a maioria das aulas de ciência, acima da média de 69% da OCDE. Outros 78% disseram que o docente continua ensinando até que a turma compreenda o conteúdo, e 76% relataram receber ajuda adicional quando necessário.
Por outro lado, 44% afirmaram que barulho e desordem prejudicam a maioria ou todas as aulas de ciência, índice superior aos 31% registrados na média da OCDE.
Ciência ambiental fica abaixo da média, mas estudantes relatam engajamento
Na área de ciência ambiental, 49% dos estudantes brasileiros atingiram pelo menos o nível básico de proficiência, abaixo da média de 74% da OCDE.
Ao mesmo tempo, os jovens do país relataram atitudes favoráveis à proteção ambiental. Entre os participantes brasileiros, 84% disseram acreditar que podem gerar impactos positivos no meio ambiente, 87% consideram que ações coletivas podem enfrentar problemas ambientais e 77% afirmam saber trabalhar com outras pessoas em iniciativas de preservação. Além disso, 67% demonstraram interesse em contribuir para a proteção ambiental em suas futuras profissões.

