"Auto da Barca do Inferno", de Gil Vicente, é uma peça fundamental do teatro português e uma obra central para compreender a transição entre a mentalidade medieval e a visão crítica do Renascimento. Em estrutura alegórica, a peça apresenta personagens-tipo que, após a morte, chegam a um porto onde duas barcas os aguardam: a da Glória, conduzida pelo Anjo, e a do Inferno, comandada pelo Diabo. A partir desse julgamento simbólico, o autor satiriza comportamentos sociais, vícios morais e hipocrisias de diferentes grupos da sociedade.
Mais do que punir indivíduos isolados, Gil Vicente expõe práticas sociais marcadas por corrupção, exploração, vaidade e abuso de poder. O valor literário da obra está tanto na crítica social quanto no uso de recursos dramáticos como ironia, caricatura, alegoria e linguagem de forte oralidade. Para o estudante do Ensino Médio, analisar a peça implica perceber como cada personagem se condena ou se absolve pelas próprias falas, revelando a distância entre a imagem que construiu de si e a verdade moral que a obra evidencia.
Questões: Auto da Barca do Inferno
Questão 01
Gabarito: alternativa B). Correto. O porto é alegórico: ali ocorre o desnudamento moral das personagens por meio de julgamento simbólico.
Questão 02
Gabarito: alternativa D). Correto. As personagens são tipos sociais satirizados, representando grupos e vícios recorrentes.
Comentários por alternativa:
- A) A peça privilegia tipos sociais, não análise psicológica profunda e individualizada.
- B) Gil Vicente critica esses grupos; não os idealiza nem os apresenta como heróis virtuosos.
- C) A obra é dramática e satírica, não lírica nem centrada em sentimentalismo amoroso.
- D) Correto. As personagens são tipos sociais satirizados, representando grupos e vícios recorrentes.
- E) Não se trata de narrativa épica, mas de teatro moral com julgamento alegórico.
Questão 03
Gabarito: alternativa A). Correto. O riso revela hipocrisias e desmonta o discurso autojustificador das personagens.
Comentários por alternativa:
- A) Correto. O riso revela hipocrisias e desmonta o discurso autojustificador das personagens.
- B) A peça não iguala todas as culpas; o julgamento distingue pecados e responsabilidades.
- C) A farsa não substitui a ética; ela reforça a crítica moral.
- D) Ao contrário, os tipos sociais são facilmente identificáveis e satirizados.
- E) O humor convive com forte base religiosa e moral cristã.
Questão 04
Gabarito: alternativa E). Correto. A peça submete todos ao mesmo critério moral, acima dos privilégios sociais.
Comentários por alternativa:
- A) A obra associa destino pós-morte à conduta moral, não ao acaso.
- B) A referência maior é a justiça divina, que corrige aparências da ordem social.
- C) Riqueza e prestígio não garantem salvação; muitas vezes agravam a crítica.
- D) Justamente os privilegiados são frequentemente desmascarados e condenados por seus atos.
- E) Correto. A peça submete todos ao mesmo critério moral, acima dos privilégios sociais.
Questão 05
Gabarito: alternativa C). Correto. O Fidalgo encarna o privilégio social incapaz de garantir mérito moral.
Comentários por alternativa:
- A) A peça não trata da humildade como cálculo político do Fidalgo, mas de sua arrogância.
- B) Gil Vicente critica abusos sociais, não formula projeto igualitário absoluto.
- C) Correto. O Fidalgo encarna o privilégio social incapaz de garantir mérito moral.
- D) Esse não é o foco central do episódio do Fidalgo.
- E) O ideal cavaleiresco não é exaltado; a nobreza é ironizada em sua vaidade.
Questão 06
Gabarito: alternativa B). Correto. Os adereços cênicos materializam a crítica e tornam visíveis os vícios satirizados.
Comentários por alternativa:
- A) Os objetos não inocentam; frequentemente ajudam a expor culpa e apego material.
- B) Correto. Os adereços cênicos materializam a crítica e tornam visíveis os vícios satirizados.
- C) A fala é essencial; objetos e discurso atuam juntos na caracterização satírica.
- D) A peça ironiza justamente o apego ao material, que não salva ninguém.
- E) A obra assume posição crítica clara diante de práticas sociais condenáveis.
Questão 07
Gabarito: alternativa E). Correto. A peça amplia casos individuais para atingir costumes coletivos e estruturas sociais.
Comentários por alternativa:
- A) A sátira ultrapassa o indivíduo e alcança grupos, funções e comportamentos sociais.
- B) Gil Vicente critica abusos de várias classes, sem defender supremacia ética de uma delas.
- C) A crítica social está ligada a forte juízo moral, não à mera comicidade.
- D) Alegoria é elemento central; não há documentalismo histórico como objetivo principal.
- E) Correto. A peça amplia casos individuais para atingir costumes coletivos e estruturas sociais.
Questão 08
Gabarito: alternativa A). Correto. A ironia nasce do contraste entre autoimagem e verdade moral exposta em cena.
Comentários por alternativa:
- A) Correto. A ironia nasce do contraste entre autoimagem e verdade moral exposta em cena.
- B) O Anjo não desconhece critérios; representa justamente a ordem moral da peça.
- C) O Diabo não absolve todos; sua função é acolher os condenados.
- D) Não há mudança para narrativa de batalhas; permanece o julgamento dramático.
- E) A escolha não é livre no sentido moral; decorre do que cada um fez em vida.
Questão 09
Gabarito: alternativa D). Correto. A sequência organiza um mosaico satírico de grupos sociais e faltas morais.
Comentários por alternativa:
- A) Não há protagonista em formação; há sucessão de tipos em julgamento.
- B) Os episódios se unem pelo julgamento alegórico e pela crítica moral comum.
- C) A repetição reforça padrões de culpa e amplia o alcance satírico.
- D) Correto. A sequência organiza um mosaico satírico de grupos sociais e faltas morais.
- E) O tom cômico não elimina a dimensão religiosa; ambos se combinam.
Questão 10
Gabarito: alternativa C). Correto. Os cavaleiros confirmam o critério moral da peça: vale a conduta, não o status.
Comentários por alternativa:
- A) A absolvição não é automática; depende do sentido sacrificial atribuído à conduta deles.
- B) Ao contrário, a exceção confirma a coerência moral do julgamento.
- C) Correto. Os cavaleiros confirmam o critério moral da peça: vale a conduta, não o status.
- D) O reconhecimento recai no sacrifício e na fé, não na riqueza.
- E) O Diabo mantém sua função de condutor dos condenados; a exceção não anula isso.


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